
ela o olhou bem. havia algo de duro e inquebrável nele; as lágrimas que ele derramava não podiam mudar aquele afloramento inflexível em seu caráter, não mais do que uma única chuvarada de verão pode mudar o formato da rocha. havia bons usos para tal dureza, mas ele ainda não descobrira nada disso. ele era apenas o que ela disse que ele era: o dela para sempre. ele iria em frente, sem pensar, botando gente - inclusive ele mesmo - em confusões, e quando a confusão se tornasse insuportável, ele recorreria ao duro traço de temperamento para deslindar a si mesmo. e os outros? ele os deixaria se afogar ou nadar por conta própria. a rocha era dura, e havia dureza no seu caráter, porém ele ainda a usava destrutivamente. ela podia ver isso nos olhos dele, ler em cada linha de sua postura… mesmo no modo como agitava o seu cilíndro de câncer para fazer aqueles pequenos anéis de fumaça no ar. ele nunca afiara aquele seu pedaço duro numa lâmina para cortar pessoas com ela, e isto já era alguma coisa, mas quando precisava estava pedindo ajuda como uma criança fazia - como uma clava abrindo seu caminho para fora das armadilhas que ele cavara para si mesmo, correndo com os lábios num bico de choro para os braços dela. um dia, ela dissera para si mesma, ele iria mudar. ela mudara; ele iria.